ENDURANCE - ADIÇÕES DE PESO AO WEC EM 2024


A temporada 2024 do Mundial de Endurance, o WEC, promete ser bem agitada em função das grandes adições que teremos no campeonato a partir do próximo ano, sejam de marcas e equipes, seja de pilotos.


Para facilitar a ordenação, vamos tratar das adições em cada uma das duas classes separadamente, onde falaremos de todas as principais novidades que chegam em cada uma delas.

HYPERCAR

Falando de quem já está na competição, não teremos grandes modificações na Toyota, que continuará alinhando dois GR010 Hybrid, porém com uma mudança de piloto no carro #7, onde José Maria Lopes dará lugar a Nyck de Vries (falamos mais abaixo desta mudança estratégica) – no segundo carro da equipe nada muda.

As equipes da Cadillac e Peugeot permanecem como estão, respectivamente com um e dois protótipos, sem mudanças em suas tripulações (pelo menos, nada anunciado até então).

Por sua vez a Ferrari terá a adição de mais um 499P, onde um de seus pilotos será o polonês Robert Kubica, único anunciado até então para o carro cujo numeral será o 83 também operado pela AF Corse.

No time de fábrica da Porsche também tudo permanecerá como está, com a Porsche Penske Motorsport vindo com dois 963, porém a Hertz Team Jota, que neste ano correu com apenas um carro, trará duas máquinas alemã para a pista, que somado ao novo time Proton Competition que também virá com um protótipo da casa de Stuttgart, teremos nada menos que cinco carros no grid, sendo o maior alinhamento do mesmo modelo nos Hypercars.

Chegando agora ao campeonato temos a italiana Isotta Fraschini, que alinhará um protótipo nomeado Tipo6 LMH Competizione, cuja operação será em parceria com a Duqueine Engineering, onde na tripulação ainda falta um piloto a ser definido, já que foram confirmados o mexicano Alejandro Garcia e o francês Jean-Karl Vernay no protótipo #11.

Quem também inicia neste ano sua participação no WEC é a alemã BMW, que colocará dois M Hybrid V8 na pista, mas apenas um piloto de cada carro está definido: o belga Dries Vanthoor e o sul-africano Sheldon Van Den Linde.

Outra equipe que vem com dois carros é a Alpine, que já competiu na nova classe, porém com um carro da classe LMP1 (chassis Oreca que já foi da equipe Rebellion Racing), ficando o ano de 2023 fora da classe de topo, correndo na extinta classe LMP2.

Na nova empreitada o time francês coloca na pista o aguardado A424, que para a surpresa dos brasileiros, o piloto do time de longas datas, o brasileiro André Negrão, não fará parte da tripulação de nenhum dos dois carros.

Finda a lista de entradas desta classe a Lamborghini, que entra na competição com o SC63, onde é esperado que o franco-suíço Romain Grosjean esteja ao volante do protótipo, porém, oficialmente foi anunciado apenas o italiano Mirko Bortolotti.

LMGT3

Chegamos a novíssima classe de GTs que passa a vigorar a partir do próximo ano no WEC e o que era esperado realmente aconteceu: novos fabricantes aderiram ao campeonato (falta a Mercedes, é verdade, mas este que vos escreve imagina que seja por pouco tempo) e, ainda que a classe LMGTE Am tivesse um bom grid anteriormente, não podemos dizer a mesma coisa da Pro, que tinha apenas cinco carros oficialmente inscritos na competição em seu último momento.

Começando pelas marcas que permanecem, teremos dois Aston Martin Vantage GT3; dois Corvette Z06; duas Ferrari 296 GT3 e dois Porsche 911 GT3R e é fato que as marcas alemã e italiana reduziram o volume de carros inscritos na competição, porém parte disso é fruto dos acordos dos times com as novas marcas que chegam, que neste caso são equipes 100% privadas.

Como é o caso da Iron Lynx, Iron Dames e Proton Competition, que até então corriam com as máquinas alemãs, mas as duas primeiras adotarão o Lamborghini Huracan GT3 EVO2 a partir do próximo ano e a terceira virá com o novo Ford Mustang GT3.

Outro time que migrou de marca, mas neste caso pelo fato da classe LMP2 deixar de existir foi a United Autosports, que neste ano inaugura o retorno da McLaren a competição com dois 720S GT3 EVO.

Temos o retorno da BMW a competição alinhando dois M4 GT3, mesmo modelo que corre em nosso país via Pole Motorsport no Endurance Brasil.

Em um dos carros teremos o brasileiro Augusto Farfus, que tem uma carreira longeva com a marca bávara e na outra máquina, ninguém menos que o italiano Valentino Rossi estará aos comandos, que depois de uma bem sucedida carreira na MotoGP, partiu para os GTs e agora chega aos topo da competição no WEC.

Fecha o cardápio desta classe a chegada da marca nipônica Lexus, divisão de luxo da Toyota e que já está presente há algumas temporadas no IMSA com o modelo RC F, o mesmo que estará presente no WEC com dois carros.

Em um dos carros estará o argentino José Maria Lopez, duas vezes campeão do WEC na classe de topo com a própria Toyota (uma pela LMP1 e outra pela Hypercar) e seguramente está sendo encarado como o grande desenvolvedor do novo carro na competição –“Pechito” Lopez é um grande piloto e tal como a Toyota tem dominado a competição na classe de topo, seguramente os japoneses querem dominar o mundo também nos GTs e para isto, ninguém melhor que um campeão que já é da casa para cumprir a tarefa.

O outro carro estará aos comandos do sul-africano Kelvin Van Der Linde, que teve uma passagem curta pela Fórmula E e tem nos GTs sua maior experiência de pilotagem, tendo competido no ADAC GT Masters, DTM e até mesmo no IMSA, entre outros.

UM NOVO MOMENTO

Ao longo dos anos o endurance sempre foi uma competição amada pelos expectadores e sempre houve um grande frisson pela competição, mas muito em parte pelas 24 Hora de Le Mans, prova lendário que faz parte do calendário da competição desde sempre, porém, a competição andou em baixa, onde os custos para manter um time no campeonato passou a se tornar proibitivo.

A classe LMP1 foi sendo prejudicada ao longo dos anos e com isto, um volume muito baixo de times e marcas passaram a se envolver com a competição, a ponto do grid ser reduzido há um punhado de carros que encheriam apenas os dedos de uma das mãos.

Porém, sabiamente os organizadores da competição buscaram uma convergência de regulamento com o IMSA, que ano após anos desfilava nas pistas norte-americanas sempre um grande volume de carros, atraindo marcas e importância nos esporte.

Hoje, dois anos depois da temporada inaugural dos LMDh / LMh, temos um dos grids mais volumosos que a competição já teve em sua história e isto ao que parece, pode ser só o começo de um crescimento ainda maior.

Em suma, 2024 será um grande ano para o WEC e isto nos faz pensar como será a corrida de La Sarthe neste ano, já que ela é a cereja do bolo e é onde o grid é sempre muito maior.

Vem 2024!

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Fotos: WEC


Márcio de Luca

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Márcio de Luca

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