FÓRMULA 1 - O VAI E VEM DA HONDA


No ano passado em meio ao grande embate entre Lewis Hamilton da Mercedes e Max Verstappen da Red Bull Racing, o mundo recebeu atônito a notícia que a montadora japonesa Honda deixaria a categoria, gerando um grande silêncio no padock e um imenso ponto de interrogação na Fórmula 1.


Mas eis que o holandês tratou de liquidar a fatura do mundial de pilotos ficando com o título de campeão e juntamente com Sérgio Perez, permitiu que a equipe austríaca terminasse com o vice-campeonato de construtores, porém, como na Fórmula 1 no final das contas o que conta é o piloto que vence a temporada, o marketing gerando em cima do título de Verstappen fez com que todos os envolvidos no feito recebesse seu bônus pela coroação do trabalho com a taça de campeão.

Verstappen atingiu o Olimpo da F1 justamente no ano de despedida da Honda. E agora? Reprodução

Mas, mesmo assim a divisão Red Bull Powertrains continuava a todo vapor em sua saga de criação, captando em larga escala profissionais das outras equipes (e não apenas), com a Honda dando o devido suporte à Red Bull, que com o congelamento das unidades de potência, teria até 2025 para utilizar as unidades sem precisar mexer em nada.

Contudo, próximo ao final do mês de janeiro Helmut Markko, consultor técnico do time taurino, em entrevista a mídia local austríaca deu um pequeno spoiller ao dizer que a propriedade intelectual dos motores Honda não haviam sido transferidas à Red Bull e com isto, supostamente o nome Honda seria ainda estampado nos carros da equipe e nos carros da AlphaTauri em 2022.

Quase no apagar das luzes de janeiro a Honda anunciou que se manteria na categoria até 2025 e só a partir de 2026 a Red Bull seguiria finalmente em voo solo.

MAS O QUE ESTÁ POR TRÁS DESSA DECISÃO?

Seguramente dinheiro e liderança de mercado, numa forma direta de ir ao ponto!

Mas há uma mensagem cifrada por traz de tudo isso e um dos pontos chave para esta decisão da Honda permanecer na categoria pode ter a ver com os EUA. Entenda.

A Liberty Media, detentora dos direitos comerciais da Fórmula 1 tem realizado uma grande investida no seu pais de origem, os Estados Unidos, onde em 2022 a categoria vai passar pela terra do Tio San em duas ocasiões: em maio no GP de Miami e em outubro na prova de Austin.

Porém, além destas duas corridas, há ainda uma possibilidade do país receber um outra corrida nas próximas temporadas e com isto, seriam três.

Queda no mercado americano pode explicar em parte a saída da Honda da F1. Reprodução

Exatamente nos EUA a Honda em 2021 perdeu uma posição no ranking de vendas, caindo do quarto lugar de 2020, para o quinto neste ano e esta queda se deu para um adversário chamado Hyundai-Kia, que superou a marca nipônica em cerca de 130 mil carros e utilitários vendidos por lá.

Além desta perda de posição, a Honda assistiu a perda da liderança do mercado norte-americano da Gereral Motors para a Toyota, exatamente sua grande rival doméstica e que tem aumentado sua participação mundialmente, fazendo um grande alerta acender na cabine de comando dos japoneses da marca do H.

Com mais de 90 anos de liderança no mercado de veículos nos Estados Unidos, a Toyota superou a GM em mais de 114 mil unidades vendidas e tal como a Honda, a Toyota tem um forte programa esportivo, sendo bem sucedida no WEC, o mundial de endurance e também no WRC, o mundial de rallys, o que ajuda a gerar mais visibilidade ao fabricante, uma vez que são campeonatos de grande significância mundialmente falando.

Na "Terra do Tio Sam" o maior incomodo da Honda é a sua conterrânea Toyota. Reprodução

Sem a Fórmula 1 a Honda teria apenas os campeonatos de TCR e competições de GTs para divulgar sua marca nas pistas, algo similar a um grão de areia no meio da praia, então, reprogramar a rota foi o meio mais viável para a empresa, já que 100% do que ela utiliza na categoria já está desenvolvido e com grandes chances de manter o sucesso obtido em 2021, sobretudo pelo baque que Hamilton sofreu ao perder seu oitavo título, algo que o tornaria absoluto na F1.

MERCADO MUNDIAL

É claro que os Estados Unidos é apenas um país em meio aos 197 países reconhecidos pela ONU no mundo, mas estamos falando de um mercado que só em 2021 vendeu mais de 15 milhões de unidades segundo a consultoria Marklines, representando um aumento de 3,4% em relação ao ano anterior.

Os EUA é o segundo maior mercado de vendas de veículos no mundo, perdendo apenas para a China que segundo a consultoria Focus2move, estima-se que em 2021 as vendas bateram a casa de 27 milhões de unidades comercializadas.

Exatamente na China a Toyota também está em franca expansão e este país também é muito cortejado pela Fórmula 1, já que a população local é a maior do mundo e além disso, suas dimensões continentais permite facilmente a realização de mais de um GP na temporada.

Deixar a Formula 1 neste momento pode acarretar perda da imagem de campeão pelo mundo. Reprodução

Desta forma, ficar de fora da Fórmula 1 para a Honda poderia significar perder mais posições em mercados chave, o que no final das contas reduz a entrada de dinheiro no caixa e este é norte para onde as montadoras apontam sua velas, neste imenso mar de carros que todo ano desagua no mundo.


Márcio de Luca

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Márcio de Luca

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