Os alemães da Mercedes Benz em parte de sua linha fizeram o mesmo caminho, porém de uma forma muito mais suntuosa revisitaram o belíssimo 300 SL lançado em 1954, o eterno asas de gaivota, com um modelo com um toque de pimenta fenomenal: o “original” possuía um “modesto” motor 3 litros de seis cilindros, já o renovado, que foi nomeado SLS, desenvolvido pela divisão de competição da marca, a AMG, recebeu um possante motor 6.3 litros de oito cilindros, com cambio de sete velocidades e trocas através de borboletas atrás do volante.

A inspiração, 300 SL, teve como ponto de partida o “jovem” e pequeno 190 SL, que era um modelo conversível e de baixa cilindrada: possuía um motor de 1.9 litros e apenas quatros cilindro.
Na contra-mão da história, o vistoso e potente SLS teve como ponto de partida as pistas, sendo também um fruto da parceria Mercedes Benz-McLaren (na ocasião a equipe inglesa era impulsionada pelos motores Mercedes e havia uma grande troca de “serviços" entre as partes), que ajudou na preparação do motor e cambio.
Mas, como tudo no mundo tem validade, os dias de rei do SLS também chegaram ao fim e para o seu lugar a marca da estrela de três pontas criou o AMG GT, um verdadeiro foguete das pistas, com permissão para andar nas ruas.
O modelo foi lançado no Salão de Paris, França, em 2014 e contava com um novíssimo motor V8 biturbo de 4 litros, que na ocasião despejava no eixo traseiro cerca de 460 cv de pura emoção.

Ao contrário do irmão que deixou o trono, o AMG GT foi criado com portas com abertura convencional e a frente com um perfil um pouco mais afilado e com faróis que adentram na área do capo. A traseira é mais curta (na verdade, compara com o SLS, o carro todo é mais curto - cerca de 30 cm menor), no melhor estilo fastback, contrastando com o capo que é bem longo.
Por dentro o AMG GT lembra mais um carro de corrida, do que um modelo de rua, pois há muitos itens inspirados em competição: o volante com sua base achatada, console central alto e no painel e em diversas partes da cabine, conta com muitas peças de fibra de carbono.
SUCESSO IMEDIATO NAS RUAS E NAS PISTAS
Tão logo que foi lançado, o AMG GT caiu nas graças do seu público alvo e apesar de mais caro que o antecessor SLS, o carro trazia para os proprietários aquela sensação de estar num carro de corrida, onde tudo foi pensando em desempenho, por mais que a criação tenha sido concebida para as ruas.

O modelo é fortemente recheado de itens em fibra de carbono, algo muito comum nos carros de corrida e esta característica inerente do AMG GT aos poucos foi direcionando-o para as corridas, algo que para a Mercedes, salvo os modelos que competiam no DTM e se tratavam de sedans, era um novo-velho gosto, pois a marca alemã se fez famosa também nas pistas.
O AMG GT, diferente do SLS, caiu no gosto dos donos de equipe e como que na forma de uma avalanche, em pouco tempo o modelo povoava as diversas competições mundo à fora, com seu ápice se dando através do campeonato GT Open, onde um grande número de equipes passaram a adotar o modelo em seus times.
Rapidamente ele rumou para as provas de longa duração, tendo como principal plataforma o campeonato norte-americano de endurance, o IMSA, que em pouco tempo contava com pelo menos quatro modelos em pista.

Hoje o AMG GT é figurinha carimbada nos campeonato de GTs mundo à fora e sua fama de bom de pista rapidamente chegou ao Brasil: em 2018 de forma tímida, uma unidade do AMG GT3 passou a competir no Endurance Brasil e já no ano seguinte eram duas, chegando a atual temporada a quantidade de sete exemplares, divididos nas classes GT3 e GT4.
VIRADA DE CHAVE
Como dito acima, no DTM a Mercedes participava com modelo sedans, derivados puramente dos modelos de rua. O SLS, apesar de ser um coupé esportivo, era um carro que apesar de também utilizado nas pistas, era um carro de certa forma menos expressivo, mesmo sendo muito bonito e com visual esportivo.
Com o AMG GT a situação imediatamente foi percebida como outra, pois o modelo já nasceu com cara de carro de corrida, o que fez com que sua chegada as pistas se desse de forma natural e muito mais rápida.
Com o GT a Mercedes manteve seu alto nível de refinamento e luxuosidade, mas o DNA esportivo é quem se sobressaiu e este talvez seja este o segredo do sucesso do modelo nas ruas e sobretudo nas pista, onde a cada ano que se passa, colhe mais vitórias e ótimos resultados.

O AMG GT em comparação com o SLS é um carro completamente novo, que foi desenvolvido verdadeiramente do zero, porém é inegável que foi a experiência de esportividade do novo asas de gaivota quem instigou a marca alemã a criar algo tão esportivo e espetacular com o novo GT.
Ou seja, fecharam-se as asas de gaivota, mas abriram-se portas para o novo.
E verdadeiramente novo!
Fotos: Oswaldo Oliveira / Divulgação
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